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Opiniões e Comentários
 
 

MOTTA: AGRICULTORES NÃO SÃO CRIMINOSOS AMBIENTAIS

Por Ricardo Motta

              Eu até queria escrever neste exato momento em que vejo nuvens carregadas no universo, prometendo chuvas abundantes. E elas vieram no final de semana e continuam rondando os agricultores, que rezam para São José, o padroeiro daquela turma perseguida pela legislação ambiental. Até parece, e os patrulheiros ideológicos vão me questionar, que mudei minha filosofia de vida.
      Depois da chuva de sábado, encarei um domingo no Hotel Globo, minha mais nova morada. Nada de novo. Já morei em hotéis por várias vezes. Principalmente depois que fui “abandonado” pelas mulheres que amei e com as quais tive filhas surpreendentes. Elas têm o DNA do pai, mas são equilibradas.
      No domingo passado, 7 de março, à espera da cobertura do Oscar, com o glamour e o humor de sempre, resolvi mudar de canal, por que ninguém agüenta Big Brother. Um bando de gente complicada, fazendo caras e bocas para milhões de brasileiros. Um circo de dar dó, apresentado pelo Pedro Bial, um jornalista de classe.
      Na mudança de canal deparo-me com o programa Canal Livre, da Band, agora coordenado pelo Joelmir Betting, assessorado por jornalistas categorizados, inteligentes e sagazes (Fernando Mitre e Antônio Telles), mas que jogaram pesado contra os ambientalistas. Um deles chegou a dizer que ambientalistas não entendem nada de nada.
      O entrevistado do Canal Livre era o deputado comunista Aldo Rabelo (PC do B/São Paulo), Relator da Comissão Especial que analisa o atual Código Floresta (Lei 4.771/65) e promove audiências públicas pelo Brasil afora, com a finalidade de obter subsídios para a formatação do Código Nacional de Meio Ambiente. Rabelo demonstrou saber tudo de tudo. Criticou veementemente o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o Ministério Público, que na opinião dele se transformou em braço de Ongs.
      Aldo Rabello foi incisivo: “Quem não quer as mudanças no Código Florestal são os organismos internacionais, que financiam as ONGS na tentativa de barrar a expansão da nossa fronteira agrícola. O mundo está assustado com nossa capacidade de produzir grãos. Saltamos de 30 milhões de toneladas em 1998 para 140 milhões de grãos”.
      O parlamentar, que já ocupou a Presidência da Câmara dos Deputados, deixou claro que atualmente os pequenos agricultores estão sendo tratados como criminosos. “Eles não são criminosos. A agricultura não é contra o meio ambiente. As duas coisas podem ser conciliadas. E é isto que vamos fazer. Vamos terminar o relatório em abril para que a lei seja votada até maio”.
      As águas de março serão benfazejas para o meio ambiente. Tomara que elas dêem uma resposta positiva e desmintam os prognósticos de que a natureza está desnorteada. Se bem que está mesmo. Percebe-se claramente com os últimos acontecimentos no Peru, Haiti e Chile.
      Para homenagear março, São José e os agricultores, descolamos a letra de ÁGUAS DE MARÇO (Tom Jobim).

É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é um caco de vidro, é a vida, é o sol
é a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
é peroba do campo, é o nó da madeira
caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
é o mistério profundo
é o queira ou não queira
é o vento ventando, é o fim da ladeira
é a viga, é o vão, festa da cumeeira
é a chuva chovendo, é conversa ribeira
das águas de março, é o fim da canseira
é o pé, é o chão, é a marcha estradeira
passarinho na mão, pedra de atiradeira
Uma ave no céu, uma ave no chão
é um regato, é uma fonte
é um pedaço de pão
é o fundo do poço, é o fim do caminho
no rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego
é uma ponta, é um ponto
é um pingo pingando
é uma conta, é um conto
é um peixe, é um gesto
é uma prata brilhando
é a luz da manhã, é o tijolo chegando
é a lenha, é o dia, é o fim da picada
é a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
é o projeto da casa, é o corpo na cama
é o carro enguiçado, é a lama, é a lama
é um passo, é uma ponte
é um sapo, é uma rã
é um resto de mato, na luz da manhã
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é uma cobra, é um pau, é João, é José
é um espinho na mão, é um corte no pé
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
é um passo, é uma ponte
é um sapo, é uma rã
é um belo horizonte, é uma febre terçã
são as águas de março fechando o verão
é a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
É pau, é pedra, é o fim do caminho
é um resto de toco, é um pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho
resto de toco, pouco sozinho
Pau, pedra, fim do caminho,

Ricardo Motta, Ambientalista Presidente do Codema Ponte Nova



3/10/2010 10:24:53 AM
 
 
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